Identificação e estudo das fontes, usos e formas de descarte e reuso da água em propriedades rurais no Município de Itaperuna – RJ
Abstract
A água é um insumo essencial para a agropecuária, que consome entre 55 e 65% da água usada nas atividades humanas. Porém, a água de qualidade adequada para a agropecuária é um insumo que não é igualmente distribuída na superfície continental do planeta e sofre com problemas de poluição e com secas associadas a mudanças climáticas que reduzem ainda mais a sua disponibilidade. Por isso a legislação no Brasil exige seu uso racional e em harmonia com outros usos. Esses fatos são importantes quando se considera que o setor agropecuário hoje representa um setor vital para a economia do país, na balança comercial, geração de empregos e renda, pesquisas e serviços associados. A gestão de águas deve considerar esses fatores na hora de melhor se utilizar dos recursos hídricos disponíveis. Além de usar a água de maneira mais racional, há outras maneiras de se poder otimizar o uso das águas, que é o reuso das águas descartadas, ou esgoto, que são produzidas após seu uso nas residências da propriedade, limpeza de instalações, etc. O reuso consiste em reutilizar a água descartada, seja diluindo esta água em outros corpos de água, ou então fazendo diversos tipos de tratamento para reduzir a concentração de substâncias que diminuem a qualidade da água (matéria orgânica, compostos de nitrogênio e fósforo), sendo que um tipo de tratamento muito comum e de baixo custo são as fossas sépticas biodigestoras. Dentro deste contexto, conhecer como a água é usada e descartada em uma região pode ser um passo importante em uma gestão eficaz das águas. O presente estudo tem como objetivo geral o estudo da captação, uso e descarte das águas em propriedades rurais no município de Itaperuna, no estado do Rio de Janeiro. Para a realização deste estudo foram feitas visitas a um total de nove propriedades rurais. As propriedades são em sua maioria pequenas propriedades (menos de quatro módulos rurais), com área entre 11 a 240 hectares. Quatro têm a bovinocultura de corte como atividade principal, três têm pecuária de leite, uma pratica pecuária de corte e de leite e uma pratica a criação de equinos. Oito propriedades têm APPs (área de preservação permanente) e seis têm CAR (Cadastro Ambiental Rural). Rios, córregos, represas e açudes são os tipos de mananciais de água mais comuns seguidos de poços subterrâneos, nascentes e lagos. A captação é feita por meio de bombas elétricas, gravidade e poços artesianos. Nenhum dos proprietários têm outorga para captação de água e dois realizam tratamento da água antes de seu uso (aplicação de cloro e/ou filtragem). O principal uso desta água captada é a dessedentação animal, sendo que a irrigação é também praticada em cinco propriedades e a piscicultura em uma. Quanto aos volumes utilizados, quatro propriedades informaram entre 5.000 a 75.000 litros/mês; outras quatro propriedades informaram valores consumidos para dessedentação diária dos animais, que ficou entre 1.650 e 7.500 litros diários, e uma propriedade informou usar 600 litros diários para uso doméstico. No descarte das águas, seis informaram descartar no solo ou em fossa negra, e três usam biodigestor anaeróbico para tratamento das águas descartadas e destas, duas reutilizam para fertirrigação. Nas propriedades em que há o uso de biodigestores ocorre o apoio técnico do SENAR-RJ e do Sindicato Rural de Itaperuna. Cinco dos produtores indicaram ter tido problemas com a quantidade de água, associada principalmente a estações de seca, e ao menos um teve problemas com a qualidade da água por consequência de uma queimada. Recomenda-se um estudo mais detalhado sobre a questão das outorgas, principalmente a Certidão Ambiental de Uso insignificante, o produtor precisa de mais informação e desburocratização para a obtenção e também estudo sobre o reuso da água, para determinar sua aplicabilidade nas demais propriedades. Recomenda-se também orientação sobre o descarte, pois embora existam propriedades com tratamento e reuso de águas descartadas, as demais descartam diretamente no solo ou nos córregos.